Setembro Amarelo é o tema do texto de Dr. Allan de Aguiar, Diretor Geral do CAPS-PÁDUA

Por ASCOM / Em 09/09/2019

           


 

O SUICÍDIO E O SETEMBRO AMARELO

O suicídio é uma questão de saúde pública. Isso é um fato. Estudos afirmam que são registrados cerca de 12 mil suicídios por o anos no Brasil e mais de 1 milhão no mundo, em média. Segundo as estatísticas, em nosso país é maior a incidência entre adultos jovens do sexo masculino, numa proporção de 7,5 homens para 2 mulheres, porém é maior a incidência de tentativas entre as mulheres, sendo 3 vezes maior. Frente a questões específicas, como estigmas e tabus, o IBGE estima que 15,6% dos óbitos por suicídio não são registrados.

O comportamento suicida consiste em ideação, tentativa, e no suicídio propriamente consumado. O suicídio é um ato repleto de ambivalência, entre o querer morrer e o querer viver de maneira diferente. Em geral, se apresenta em sujeitos com baixas habilidades de solucionar problemas, que se desesperam diante de situações difíceis e buscam soluções impossíveis.

Dentre os fatores de atenção e risco temos os quadros de depressão, o transtorno bipolar do humor, a dependência de álcool e outras drogas, quadros de esquizofrenia e comorbidades, como, por exemplo, a depressão junto do alcoolismo ou a depressão associada à ansiedade. As situações de maior destaque são: as tentativas prévias de suicídio, o desespero, quadros de impulsividade, também pode-se incluir o surgimento e agravamento de doenças crônicas não psiquiátricas como o HIV, câncer, esclerose múltipla, doença de Parkinson, lúpus e algumas outras.

Também podemos acrescentar como situações de risco: eventos adversos na infância e adolescência, história familiar, rejeição, preconceito, violência e fatores sociais. Para além de ser considerado um problema individual e apenas de uma área, o suicídio é causado por fatores sociais e por isso necessita de atenção e cuidados transdisciplinares de vários profissionais e campos do saber, onde uma rede de atenção se faz necessária.

Ao se propor a ajudar, uma solução é oferecer a presença, uma escuta atenta e qualificada, assim como encaminhar a pessoa em sofrimento a algum profissional capacitado, serviços de saúde ou recursos outros. A saúde mental possui relação direta e necessária com o bem-estar físico, psíquico e social.

Em Santo Antônio de Pádua são espaços públicos possíveis de tratamento: o Ambulatório de Saúde Mental, o Centro de Atenção Psicossocial Ilha da Convivência, a Policlínica Juarez Amaral, o Centro de Atenção Integral Materno Infantil, o Hospital Municipal Hélio Montezano, as Estratégias de Saúde da Família, e os Centros de Referência da Assistência Social. Uma outra possibilidade é a ligação para o Centro de Valorização da Vida no número 188.

O dia 10 de setembro é oficialmente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas o respeito, a atenção e o cuidado frente ao sofrimento humano precisam transcender a cor e o mês e devem se dar durante todo o ano.

Allan de Aguiar Almeida é psicólogo clínico, psicanalista e diretor geral do Departamento de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde de Santo Antônio de Pádua – RJ