Trabalho de pesquisa reconhece Engenheiro Augusto Ramos como Paduano

Por ASCOM / Em 21/01/2020

           


Através de uma historiadora Paduana e uma jornalista Miracemense, com o incentivo do Prefeito Josias Quintal de Oliveira, foi corrigido um erro histórico que por mais de 100 anos figurou no noticiário.

O construtor da linha aérea do pão de açúcar Engenheiro Augusto Ferreira Ramos que por anos era reconhecido como natural de outro município nasceu no distrito de Monte Alegre em Santo Antônio de Pádua.

Augusto Ferreira Ramos quando planejou o bondinho, em 1908, já era um dos mais importantes nomes da engenharia de sua época, tendo viajado por vários países da América Latina, EUA e Europa para estudar a agricultura cafeeira na América Espanhola. A inspiração para a ligação suspensa por cabos na Urca teria surgido nessas viagens. Mas os registros históricos indicam que o estalo veio durante a Exposição Nacional de 1908, aos pés do Morro da Urca pelo centenário da Abertura dos Portos. Ele foi um dos coordenadores do pavilhão de São Paulo por causa do café, primeiro produto da balança comercial brasileira naquele tempo.

O projeto do caminho aéreo conquistou a alta sociedade, mas foi um espanto no Rio do início do século XX. As más línguas chegaram a insinuar que ele deveria fazer um bondinho até o Hospício Nacional, que funcionava no atual campus da UFRJ. Nada abalou Augusto Ramos, formado em engenharia civil pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro e, desde 1894, professor da mesma instituição em São Paulo.

Augusto Ramos atuou em diferentes frentes na virada do século XIX: no ramo do café, como autor de importantes escritos sobre o seu cultivo e comercialização; na construção de usina de açúcar, de fábricas de cimento e papel, de uma hidrelétrica no Vale do Itapemirim e de uma das primeiras estradas de ferro elétricas do país, no Espírito Santo; na retificação de trechos do Vale do Rio Paraíba, na Bahia; e em obras de saneamento em Curitiba e Vitória.

Como ele não era abastado, precisou convencer a alta sociedade da época a construir o bondinho, entre os investidores, estão nomes de famílias ilustres como o industrial Manuel Antônio Galvão, Candido Gaffrée, Eduardo Guinle e Raymundo Ottoni de Castro Maya. Em 1912, o engenheiro dividia a direção do negócio com o comendador Fridolino Cardoso.

A Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar foi aberta com um capital de 360 contos de réis, e a construção do teleférico custou dois milhões na mesma moeda. Parte do dinheiro veio do café. Como o país não possuía indústrias que fabricassem teleféricos, buscou-se uma solução lá fora. Foi contratada a empresa J.Pohling, em Colônia, na Alemanha, que fabricou e montou os equipamentos. A viagem em 1912 no camarote carril custava dois mil réis, o que equivaleria a cerca de R$ 9 hoje.

Depois de sua grande obra, que mudaria de vez a paisagem do Rio, Augusto Ramos escreveu, em 1923, o tratado “O café no Brasil e no estrangeiro”, obra comemorativa do 1º centenário da Independência do Brasil.

Augusto Ramos morreu em 1939 e uma herma sua está localizada no Morro da Urca, obra do escultor Armando Schnoor.

A certeza de que esse importante engenheiro nasceu em terras paduanas coloca o nome do município como destaque mundial, já que anualmente centenas de milhares de turista do mundo inteiro visitam o local.

 

Curiosidade

- Do morro da Babilônia ao da Urca há 600 metros de distância e 224m de altura; daí para o Pão de Açúcar há 800 metros de distância e 395 acima do nível do mar.

- Os primeiros equipamentos para construção foram levados por alpinistas. 

 

Texto e Edição: Mauro Teixeira

Arte: Kaciano Souza

Fotos: Jornal o Globo / Acervo Nacional / Prefeitura do Rio de Janeiro

Fonte: Jornal o Globo